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Exercício físico e saúde cardiovascular

Professor Doutor Hélder Dores

Hospital da Luz Lisboa

CorSport

A prática regular de exercício físico associa-se a múltiplos benefícios para a saúde, sobretudo a nível cardiovascular, com a prevenção e o controlo de vários fatores de risco, refletindo-se na redução de eventos clínicos como o enfarte agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral. Por outro lado, o sedentarismo constitui um problema de saúde pública, com elevado impacto clínico e socioeconómico, sendo essencial estimular a adoção de um estilo de vida saudável, incluindo o exercício físico.

Apesar de quase todas as pessoas poderem praticar exercício quando devidamente prescrito, a presença de algumas doenças cardíacas pode precipitar eventos, incluindo a morte súbita. Este facto justifica uma avaliação prévia diferenciada, visando identificar os indivíduos com maior risco. A metodologia desta avaliação depende de vários fatores, nomeadamente da idade, porque as causas mais frequentes de morte súbita diferem entre jovens e veteranos. Nos jovens deverá incluir história clínica, avaliação física e eletrocardiograma, porque as principais causas são doenças cardíacas hereditárias (miocardiopatias ou doenças arrítmicas primárias), enquanto nos veteranos (>35 anos) o foco é a estratificação de risco cardiovascular e a deteção precoce de doença coronária, responsável por mais de 80% dos casos.

Nos últimos anos tem aumentado o número de praticantes de exercício, tanto em nível recreativo como competitivo, sobretudo entre indivíduos de meia idade previamente sedentários, frequentemente com fatores de risco ou doenças conhecidas e que não realizam avaliações médicas regulares. Simultaneamente, é exponencial o número de atletas veteranos que praticam exercício ininterruptamente durante várias décadas. Neste contexto, esta avaliação assume maior relevância e deve ter em consideração o risco, os hábitos prévios de atividade física e a intensidade de exercício pretendida. No indivíduo de baixo risco, sem fatores de risco e fisicamente ativos, não são necessárias avaliações adicionais nem há restrições específicas, enquanto naqueles com risco alto, fatores de risco ou sedentários, é importante conhecer a intensidade de exercício pretendida: ligeira-moderada não implica avaliações adicionais; alta-muito alta implica uma avaliação médica diferenciada e exames complementares de diagnóstico. Apesar desta metodologia apresentar aspetos controversos, na prescrição de exercício devem ser balanceados os potenciais riscos e os múltiplos benefícios. Na prática, pode afirmar-se que à exceção de doenças graves, instáveis ou descompensadas, todas as pessoas podem realizar algum exercício, ajustado ao risco individual e à gravidade clínica.

Um ponto muito discutido nos últimos anos é a potencial relação entre exercício intenso e o desenvolvimento de algumas alterações patológicas, nomeadamente arritmias como a fibrilação auricular, fibrose miocárdica e doença coronária. De facto, vários estudos descrevem uma relação de ‘curva em U’ entre dose de exercício e algumas doenças, revelando que o exercício em excesso também poderá ser prejudicial.

Há três mensagens chave que importa salientar:

  1. A prática de exercício é essencial para a saúde;
  2. É fundamental uma avaliação clínica prévia, sobretudo em indivíduos previamente sedentários, com fatores de risco ou que pratiquem exercício intenso;
  3. O exercício extremo associa-se a um risco acrescido, justificando uma avaliação mais aprofundada.

Pratique exercício, em segurança!